sexta-feira, 25 de maio de 2012

A ENCRUZILHADA DA ESCOLA


Texto à disposição das possíveis correções, adendos, ponderações, notas, observações entre outras contribuições que possam enriquecer o teor da discussão suscitada.

“Dia a dia nega-se às crianças o direito de ser crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiros, para que se acostumem a atuar com o dinheiro atual. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo como destino, a vida aprisionada. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças.”
 Eduardo Galeano “A Escola do Mundo às Avessas”

Para pensar a escola pública ora difusa, porém, difundida e definida em um mercado inspirado na velha concepção da sociedade capitalista nos encontramos em uma encruzilhada ideológica onde confundem até mesmos os mais “progressistas” educadores do discurso sobre a educação no Brasil.
Termos como “fator para a formação do país”, “produção de cidadania”, “ascensão social”, “escola de paz” ou não violência (criada pelo próprio Estado), “educação para o trabalho”, etc. são utilizados hoje para criar consenso e justificar ações “administrativas” de dominação social, mas jamais para pensar a escola como consequência das lutas e conquistas da classe trabalhadora.
            Fruto do discurso reacionário e do discurso “progressista” cuja crença nas reformas aponta saídas para mudança social que impedem sistematicamente, o pensar crítico dos sujeitos envolvidos no processo educativo para uma transformação radical da sociedade.
Uma professora baseada em seus anos de magistério disse: “quando o estado quer incutir suas ideias seus projetos na grande massa utilizam-se da escola, vi isso em todos os governos, mandavam fazer isso, mandavam fazer aqui”.  A sua descoberta, traz à tona a função da escola como mecanismo para controle e manipulação das massas.
Na história do Brasil, tal observação já podia ser constatada pelo corporativismo da relação de trabalho com o Estado Novo. Ladraram os “cães de Getúlio” sem ler e escrever; até o autoritarismo do Governo Militar cuja organização coletiva da escola estava baseada no interesse pelo trabalho e a reorganização do mesmo. Vale destacar o modelo da escola industrial, iniciada na década de 20, incorporada ao ideal liberal do Governo Vargas, a partir da década de 40, com o trabalho produtivo e os sistemas de ensino voltados para a indústria. SenaiSenacSenarSestSebrae (juntos vão forma o sistema “S”) e redes de escolas técnicas federais em contexto de expansão do capital monopolista irão permanecer no poder burocrático, nas diretrizes empresariais e na abundância de recursos junto ao ministério do trabalho e da educação.
 A essa lógica de dominação, “desfigura-se o profissional da educação”, sem identidade com a massa que se torna objeto de um depósito chamado escola. Neste sentido esta escola se apresentará como um paliativo fundamental para tapar a ferida produzida pela manutenção das desigualdades sociais e econômicas. Vê-se aberta as suas portas para o mundo do trabalho. Assim, instituía-se a escola como um espaço que contribuiria para a integração econômica formando a força de trabalho que seria absorvida pelo mercado (mesmo que não dando conta desta absorção).
Certo autor, ao analisar a luta de classe na França dizia: “que os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquela com que se defrontam diretamente, ligadas e transmitidas pelo passado...”
Com a reestruturação do capitalismo, reestruturação produtiva e social, sobretudo a partir da década de 90, para pensar a educação no atendimento das necessidades do mercado de trabalho e a lógica empresarial.  Desfiguram-se os fundamentos remodelados de acordos firmados no governo de ditadura militar, MEC-USAID (Agência Internacional de Desenvolvimentos dos Estados Unidos), que atuava diretamente em todos os níveis de ensino, na administração, planejamento, estrutura curricular e seus conteúdos, contratação de pessoal, controle de publicações e na distribuição de livros. Deste modo, as reformas educacionais da ditadura foram orientadas, sobretudo por esses acordos.  Na alfabetização, por exemplo, o método crítico que seria implantado pelo PNA (Plano Nacional de Desenvolvimento) é suplantado pela CRUZADA ABC (ação básica cristã) e pelo MOBRAL (movimento brasileiro de alfabetização) para combater as ações das Ligas Camponesas e outras organizações de base.
A LDB (lei de diretrizes e bases), aprovada em 1996, avança na concepção legal da educação, aumenta-se o número de matrículas (por pressão do capital interno e externo) e flexibiliza os espaços para a formação profissional na qualificação para o trabalho.
Este aspecto ganhou visibilidade no governo FHC, onde se difundiu a ideologia do “fim das classes sociais” e o recorporativismo: trabalhadores agora participam e colaboram com as empresas. Pensar em reestruturação do capital sem a reestruturação de sua própria concepção é inconcebível. É neste sentido que, gradativamente, há o esvaziamento de qualquer espaço de reflexão na escola que transforma a consciência dos sujeitos nela envolvidos.
O currículo sempre revisto à luz do mercado, retirando qualquer metodologia que possa pensar a realidade da massa ou que faça refletir os problemas estruturais gerados por este sistema, diga-se o problema da terra, o inchamento das periferias das grandes cidades, o desemprego sem proteção social, fome (miséria), o abandono, o trabalho infantil e a violência, e a retirada de serviços, produto das conquistas sociais (saúde, educação, saneamento).
          A formação profissional significa aumentar a produtividade do trabalho, a qualidade e a competitividade dos produtos, gerar riquezas. Contudo a esta concepção dois fatores podemos destacar: primeiro, a concepção educacional não consegue acompanhar ou inserir-se dentro do modelo de produção toyotista, onde não se aplicaria ao Brasil, visto que as orientações do modelo de produção na escola ainda estão inseridas dentro de uma visão taylorista-fordista, tendo em vista o baixo desempenho da formação da classe trabalhadora. Inclui-se a isto a distância cultural da classe de trabalhadores semi-analfabeta perante as exigências cognitivas postas pelas transformações de produção.
O taylorismo corresponde ao método de organização do trabalho que eliminou o tempo perdido e o aumento da produção reduzindo o trabalho humano a gestos repetitivo, sem permitir ao trabalhador desenvolver habilidades criativas.  O mesmo se verificará com o fordismo, com o sistema de linhas de montagens que mudará o modo de produzir e a expansão aos mercados, ao incorporar a produção em série à indústria automobilística.  O modelo toyotista, por sua vez, trata-se de um modelo flexível de produção, em que o operário é qualificado permanentemente para desempenhar diversas funções no processo produtivo.  Este modelo desenvolveu-se nas fábricas japonesas a partir da 2º Guerra Mundial com o desenvolvimento urbano-industrial que se consolidará como período técnico-científico após década de 70.  A informatização do processo produtivo vai apontar a novos ritmos da produção industrial, as demandas do mercado, diminuindo a estocagem de matéria-prima e de produtos.
Segundo, a formação da nova demanda de mão-de-obra coloca-se dentro de uma “qualidade da educação escolar”, juntamente com a dos processos de “qualificação e requalificação da força de trabalho”. Deste modo percebe-se que é na base da formação geral da classe trabalhadora, base da educação formal, que tem sido pensado este novo “profissional” apto a novos modelos de produção, subordinados à lógica do mercado e do capital. Considerando isto, podemos perceber como se apresenta as diversas instituições tecnológicas na formação/preparação deste trabalhador.
O sistema “S” repensado sob a luz da política internacional continuará sua atuação de acordo como o estágio ou classificação dada ao trabalhador, por exemplo, o Senai cuidará de se aproximar da preparação do trabalhador polivalente, que se encontra nos primeiros estágios da formação básica: formará o trabalhador operacional. Enquanto outras, junto às escolas técnicas, a um segundo nível, à formação de técnicos com aprendizagem dos fundamentos e conceitos do processo produtivo.
A reestruturação e expansão do ensino médio, por exemplo, acompanha e confirma as políticas dessa reforma do ensino. O “novo” currículo aponta para a inserção da vida econômico-produtiva. Apontando a este caminho as redes de ensino estaduais do país que detém hoje mais de 85% das matrículas do ensino médio.
Os rumos atuais desse processo acompanham a reforma educacional instituída pelo Governo Federal na gestão FHC, cujas orientações de instituições financeiras vêm indicando uma série de medidas para o setor, sobretudo, os indicativos de privatização do ensino superior. A iniciativa privada é representada por 70% dessas instituições no Brasil.
Embora nas últimas décadas, tenha se ampliado o acesso à educação básica, que antes era privilégio de uma minoria e passou a ser direito da maioria. A formação dessa maioria está voltada para a escolha da minoria e restrita a concepção e compreensão de mundo calcada na ótica do mercado e inspirada no modelo de produção. Não há lugar para o ser humano; nem este é o centro do processo de educação. Somado a isto vale ressaltar que o acesso à escola não garante melhores condições de vida a população pobre, sobretudo porque não há crescimento de emprego e sim aumento de mão-de-obra disponível. Cursos de educação profissional, voltado para qualificação (maior parte da iniciativa privada) vêm aumentando gradativamente, como apontou este ano o IBGE, na pesquisa de amostragem de 2007, onde em cursos de qualificação profissional obteve maior êxito na permanência dos alunos, foram 89,8%, em contraste com a Educação de Jovens e Adultos (não tão valorizados pelos sistemas de ensino) com 57,3%.
Nesta lógica, podemos dizer que instituições privadas já vêm ditando os rumos da educação, seja no ensino superior, com as fundações privadas, com flexibilização das concessões de certificação do MEC. Seja no Ensino Médio e Fundamental, sobretudo, do sistema público, onde estados ou municípios vão passando a administração para o setor privado.  No interior de São Paulo são sete municípios onde a gestão da escola pública pertence a iniciativa privada, entre outras parcerias com a iniciativa privada somam 25% dos municípios em São Paulo(dados da Prova Brasil, exame do Ministério da Educação, Revista Veja). Já na Rede de Ensino Estadual de São Paulo o caminho é feito em direção a flexibilização na contratação de professores, com política de bônus, estreitamento do currículo do ensino médio pautado na concepção tecnicista/empresarial e direcionamento do conteúdo para as disciplinas e apoiada por acordos com a Fundação Victor Civita, cuja orientação ideologia é norteada pelas publicações do Grupo Abril que passaram a ser “livro” didático do terceiro ano do ensino médio. Os mesmos passos vão sendo dados na Rede de Ensino do Estado do Rio de Janeiro e em sua Capital, onde também permanece a política de Bônus, parcerias com iniciativa privada, a flexibilização na contratação, ONGs, e o intento de repassar gestão do ensino do Ensino Médio para a Fundação Roberto Marinho e do Ensino Fundamental para a Fundação Ayrton Senna.
Até aqui, compreendemos que a educação apresentada se processa no conflito ideológico e no futuro inexistente do mercado de trabalho. O que não é difícil entender, pois esta educação, apenas representa um momento da situação econômica e do modo de produção existente. 
 O que é a escola? A quem serve? Como funciona? E para quê funciona? São indagações que nos permitem entender onde estamos.  Qual a concepção de escola que necessitamos para construção do processo revolucionário? Que caminho seguir? Que fazer? Estas nos permitem caminhar.

F.S.S.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

"Qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."*

* João Guimarães Rosa

Fotografia: F.S.S.

M a n h ã s

 Hoje canto versos
Pelos dias e amigos
Que conhecemos e vivemos
Mas se de onde estiverem,
não ouvirem, entenderemos,
Pois cada um é peregrino das suas escolhas
E tantas são as opções.
Caminhamos todos os dias
E em todas as vias.
Nossas despidas vozes pedem passagem.
Nem é preciso
Ter tanta coragem.
Vem os irmãos, as irmãs, vão nossos filhos.
É preciso plantar flores!
E flores são utopias escondidas pela estrada.
Não é preciso escondê-las,
nem temê-las, nem engoli-las à seco
Que seja tinto o nosso vinho
E nos acompanhe na alegria
Ó companheiro! Ó companheira!
Ora a confissão, ora revelação do âmago.
É preciso galgar palavras,
É preciso dizer com o nu de nossa voz.
Reviver a inquietude
que assola a indiferença.
Que seja luz enquanto dia
Que seja noite enquanto trevas
Que a palidez seja apenas sombras.
Não temamos a descoberta das paixões
Que sempre nos surpreende
E às vezes, nos coloca na retaguarda,
Cogitando um mundo inabitável.
Mas quem irá para Pasárgada
Se o nosso refúgio é o universo do outro?
O outro nos completa, nos espelha,
Nos reemenda, nos habita,
Nos compõe em verso de cores.
Floreia a alma da gente
A frente do teu perfume.
Flores são utopias
Reveladas em teus lábios.
Chá de cidreira, ar de cerejeira,
Tudo a beira do rio
Até que a manhã seja revelada
E o amor rotineiramente nos renove
Cada vez mais belo,
Cada vez mais sábio!

Fabiano Soares da Silva

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Às vezes dá certo"

Em uma de minhas aulas de alfabetização de jovens e adultos da favela da Maré, depois de discutir sobre migrações no Brasil, propus que escrevêssemos a nossa história de vida, relatando como chegamos ao lugar onde vivemos.  Tinha planejado a aula, por isso nada poderia dar errado, até que, duas alunas não quiseram participar da atividade, alegando ser incapazes de realizar aquela tarefa e que seria melhor que eu fizesse ?cópia? para que elas pudessem reproduzi-la, pois assim aprenderiam muito mais.  Passamos então duas semanas discutindo o assunto.  Eu tentava convencê-las do contrário, dizendo quanto perdemos quando lançamos mão da cópia.
Fizeram a atividade, e no final da aula, Erly, uma aluna de 69 anos, me dizia: «estou muito cansada, filho, não dá pra ficar insistindo numa coisa tão difícil de fazer, não tenho mais nada a perder, por isso, estou pensando em ir embora, você insiste numa coisa que não dá, faça ?cópia?, oras!».
A escola que Erly acreditava/conhecia, era uma escola de cópia, feita de cópia. E que, sem isso, não podia ser escola.  Enquanto ela argumentava, eu tentava entendê-la, para dizer a ela que podia ser o contrário, que podíamos fazer diferente.  Mas ela insistia.  Me entregava as suas palavras pensando no quanto eu estava impondo um outro modelo de escola que não substituiria, de uma hora para outra, os anos que ela acreditou no que era escola e como deveria ser.
Erly tinha razão. A ?cópia? era muito importante, mas o que ela não sabia era que a cópia só podia ser importante, quando a resignificamos.
Nessas horas estávamos a caminhos de nossas casas e ela retrucando: «faça cópia filho! » Então eu disse a ela:«- Então tá, dona Erly, vamos fazer uma cópia, vamos tentar fazer uma cópia diferente.  Tente copiar aquilo que está dentro de você, dentro de sua cabeça e que ninguém pode copiar, pois só a gente sabe o que é que tem lá dentro
 Erly me olhou espantada sem dizer uma palavra por alguns segundos e em seguida completava: «Então tá professor, vou embora descansar, porque estou com muita dor nas costas e talvez não venha amanhã».  Nos despedimos.  Fui embora com o pensamento vago, pensando não ter sido capaz de entender Erly, deixando-a mais confusa do que estava.
Passou uma semana sem a presença de Erly.  Um dia, ela reapareceu pedindo a atenção para mostrar o que tinha feito em seu caderno. Disse que havia pensado no que eu tinha lhe dito na semana anterior e que tinha feito o que eu havia pedido. Tinha nas mãos um pequeno poema, que dizia ter muitos erros.  Perguntei se ela poderia ler com sua própria voz para que todos ouvissem.  Ela concordou, e leu a sua cópia feita de suas manhãs vistas pela janela de sua casa.
O seu rosto de sorriso largo denunciava que estava feliz e isso me contagiava e a seus e suas colegas que se sentiam a vontade para escrever outras histórias.
Penso que, Erly tenha entendido que é possível fazer uma escola diferente. Mas poderia não ter entendido, poderia não ter voltado. O fato é que por mais que eu intencionasse a busca desse novo sentido, acertei por acaso, ?sem querer?, como dizem as crianças.  E assim, estávamos nós aprendendo, cada um a seu modo, o que poderíamos não ter descobertos. Mas enfim aprendemos, sem querer ou por querer, confirmando o que dizem os olhares atentos ao cotidiano da escola e que tanto tem valorizado essa história, ?às vezes dá certo?, e isso acontece, porque entendemos que é de repente que a gente aprende.
Continuamos trabalhando esse poema e reescrevemos atentando para a ortografia, mas a beleza do poema não reside na correção, está na originalidade de Erly.



Poema da manhã
que lindo dia da manhã
as crianças andando descalças pela praia vendo o sol nascer
que lindo dia da manhã
os passarinhos cantando nos galhos das árvores
que lindo dia da manhã
as rosas se abrem, as borboletas voando, os beija-flores se beijando
que lindo dia da manhã
a gente vendo o bondinho do Pão de Açúcar
que lindo dia da manhã
a gente vendo o cristo de braços abertos abençoando o Rio de Janeiro
que lindo dia da manhã.
(Erly de Oliveira Carvalho)
Rio de Janeiro, 9 de junho de 2005



Publicado na Revista portuguesa A Página da Educação, em maio de 2006 -  http://www.apagina.pt/ 
"Às vezes dá certo", Fabiano Soares da Silva.  N.º 156, Ano 15, Maio 2006, Página n.º 18

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um ar que falta


Falta-me o passo firme
olhar a brisa
encontrar teu rosto
que o devaneio consome
veja que criatura
cultiva em teu posto
passos desatinos
terrivelmente
taciturno
remediar a vida acontecendo
Pela manhã
onde andará?
olho para todos os lados
me desequilibro
volto na contramão
risco o chão com o meu caminho
e arrisco ter todas as cores
todas as letras do teu livro
Para mim?
Oh! Quão tolo!
Fazer poesia em solo nômade
É esperar que o mundo a revelia
faça girar a borda da saia.

sábado, 9 de julho de 2011

Um voo sem norte

milagre
são teus olhos nascer o dia
mesmo que a noite me envolva
na solidão das meias palavras,
silêncio de teus lábios
borboletas se escondem
sempre a espreita
do carcereiro que trará a chave da primavera
não pudera eu amar
nem hoje nem nunca
se do amor
a metade me restar
teu invólucro cresce
mesmo tendo aprendido
o caminho dos ventos
o deslimite que os céus te impõem
hoje a noite é lenta
arrasta todo peso do dia
não há adeus nem deus em tuas asas
ecoa teu voo sem norte
desafio da morte
lamento dos vivos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poesias de Blue Butterfly


EU NÃO consegui dormir esta noite.
O ar estava quente,
e a cama cheia de espinhos.
E, mesmo com o som alto do ventilador,
ouvi alguém me chamar.
Era você me chamando?
Não sou uma pessoa de insônia,
Sou uma pessoa de sono e sonhos.
Onde foi parar meu sono?
Onde foi parar meus sonhos?
Onde foi parar meu disco voador?
Hoje eu quero dormir,
mas ainda ouço sua voz me chamando.

Blue Butterfly


Felicitações

Quero que alegre-se
Desejo ver alegria no teu rosto...
É bom ver um rosto alegre
Mesmo que só sejam os olhos vendo.
Só olhos.
Entende?

Há sempre uma parte de mim
que me vê e vê a outros alegres
mas não se alegra
não por ser triste, amarga, frustrada ou reprimida
É uma parte que só observa,
Só observa.
Tenho tantas partes.
Essa parece oca.
Tenho outra que se alegra
toda vez que te vê.

Blue Butterfly

Espera

Te esperei por tantas vezes
Foram dias por te esperar
Tantos domingos,
Tantas tardes,
andando sem sair do lugar
O ar sufoca
quem espera,
a quem o corpo deseja,
a quem no corpo tem chama.

Te esperei por tantas vezes.
Por tantas vezes,
rolei sozinha na cama.
Não se pode me deixar só.
Meu corpo inflama,
minha cabeça sofre,
minhas mãos sentem raiva,
meu grito me sufoca
e o vazio que tenho por dentro
quer me tomar.
Já lutou contra o vazio?

Tenho em mim uma ânsia de pernas,
Um desejo louco de me afogar no ar,
Não me deixe só,
Não me deixe a espera...
Preciso amar.

Blue Butterfly